sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Beleza, você

Beleza, você!
Carlos Ferreira

Onde vejo beleza, vejo você
Na rosa da primavera
No arco-íris pós-tempestade
No sol que desponta trazendo o dia
No oceano azul e infinito
No barulho das ondas no encontro com as rochas
No som dos pássaros no meio da mata
Na canção de Luanda
No abraço forte e verdadeiro
No cheiro carinhoso
No beijo carregado de amor
No simples sorriso de criança
No orvalho que atinge a folha verde e límpida
Onde vejo beleza, vejo você.

O samba da minha vida


O samba da minha vida
Carlos Ferreira

O samba da minha vida
Lembra a simples batucada
Uma melodia entoada
do fundo do coração
Um sentimento verdadeiro
Vivido no terreiro
Na terra batida do chão

O samba da minha vida
Vem carregado de lamentação
Chorado pelos negros na embarcação

Representa a saudade não saciada na escravidão
E a perda da identidade ao deixar sua nação
Faz-me sonhar com Palmares
Leva-me a guerrear pelos mares
Na defesa dos nossos irmãos

domingo, 1 de julho de 2012

Quero um Samba

Quero um samba
Carlos Ferreira

Quero um samba pra cantar
Quero um samba pra tocar
Quero um samba pra chorar
Quero um samba pra sambar

Quero um samba pra esquecer
Quero um samba pra viver
Quero um samba pra renascer
Quero um samba pra morrer

Quero um samba pra ouvir
Quero um samba pra sorrir
Quero um samba pra dormir
Quero um samba pra sentir

Quero um samba pra sonhar
Quero um samba pra lembrar
Quero um samba pra beijar
Quero um samba pra amar

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Querido Sambista

Da mistura de ritmos africanos nasci
E no século 19, na Bahia surgi
Cheguei ao Rio e raiz criei
E com batuques e melodias me formei

Pouco tempo depois de nascido
Por ser ligado à cultura negra fui perseguido
Vencida a batalha da discriminação
No rádio tive o momento de ascensão
Tornando-me em seguida produto de exportação

Fui esquecido com a chegada da música americana
Fica o povo lutador, parte a elite bacana
Resisto bravamente com meu povo
Levando a cada esquina o batuque de novo

Relembro os pagodes na Tia Ciata
De onde extraíram minha nata
De onde pelo telefone Donga gravou
De onde Pixinguinha pela flauta chorou
De onde João da Baiana o prato tocou

Fiz minha história no morro e no asfalto
Sou gafieira, sou terreiro e partido-alto
Sou enredo, sou canção,
Sou de breque e exaltação,
Sou de roda, sou raiado,
Sou batido e rasgado

Sambista,
Defenda a bandeira desse ritmo verdadeiro
Mantendo a humildade dentro e fora do terreiro
Deixando a vaidade longe de mim
Para que todos vejam que mesmo simples assim
Carrego a emoção e uma verdade natural
Que inspira meu povo e me faz imortal

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O Grito da Natureza ( Tiago Trindade / Fábio Azeredo)


A natureza está de luto

E de longe eu escuto, seu grito de agonia
Um grito que não silencia

Que nos desafia e nos faz repensar 

O mundo denuncia: a terra anda quente e as pessoas mais frias
Mas pior que esse grito de luto

É o silencio absoluto, 
de quem pode ajudar
Resquícios de vidas perdidas, em meio a poluição
Alheios aos maus tratos ingratos, da população
É o anseio pungente, de gente que vive do mesmo chão
É um choro aflito, é um grito oprimido pela ambição

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Brasileiro de Fibra: Joaquim Alberto Ferreira

Hoje meu pai completa 57 anos.
Ele é meu espelho, admiro-o por sua bondade, honestidade e perseverança; isso pra ficar em apenas três qualidades.

E para homenageá-lo em mais um aniversário, posto uma singela poesia que escrevi em 2002, após sua chegada em solo americano.


Em 2002, ele partiu para os EUA para garantir um futuro melhor para a família.
A decisão surpeendeu toda a família e os amigos mais próximos, tudo porque ele é uma pessoa sossegada e tranquila, e como não possuia visto para o país a viagem seria uma verdadeira aventura, passando pelo México para chegar a fronteira.

No final tudo deu certo e ele retornou ao Brasil em 2009.
Salve Joaquim Alberto Ferreira, um Brasileiro de Fibra.


Brasileiro de Fibra

Trabalhador sempre foi
Homem de família e que acredita...
Que pra realizar alguns sonhos
É necessária a partida

Pra América partiu
Poucos sabem como decidiu
Pacato e de falar pouco
Chegaram a pensar que estava louco

Hoje ele volta
Com a força de sempre
Com sentimento de dever cumprido
E não se arrepende de ter partido

A família está feliz e vibra
Com a volta de Joaquim Ferreira
Um brasileiro de fibra

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Incomparável Noel.

Poeta da Vila


Nasceu no Rio, franzino e genial
Entre os compositores o maioral
Sem pensar muito deixou a medicina
Atitude irresponsável, mas que não o recrimina
Possuidor de uma mente fantástica
Criou letras belas e mágicas
Parceiro da madrugada
Sempre acabava na calçada
Símbolo da boemia
A cada samba, uma cachaça bebia
Respondeu com galhardia
Um malandro cruel
Que desprezou sua adorada Vila Isabel
Vendeu samba pra não andar a pé
Convidou para acompanhá-lo, a dama do Cabaré
Foi interlocutor na interação com o morro
E não fosse a tuberculose
Hoje o samba não pediria socorro

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Um Momento

Por Diogo Elias

um momento para explicar a importância deste momento
um momento para ficar assim, sozinho
um momento para curtir os meus lamentos
um momento para sentir os meus tormentos
um momento único sem esplendor
um momento onde exprimo a minha dor

dor essa que afaga o meu coração
dor essa que me afeta em silencio
dor essa que atormenta meus sentimentos
dor essa que me faz lamentar
dor essa que obrigada a ficar só
dor essa que só se cura assim

em um momento

o meu momento.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A culpa é dos políticos!

Em meio a tanta corrupção e baderna, sou obrigado a generalizar ao falar dos políticos que estão à frente deste país. São todos irresponsáveis e só pensam no melhor para eles.
São ladrões que enriquecem à custa do povo trabalhador.
A corrupção é enorme, licitações, roubo a banco (túnel), propinas, tá tudo aí e o tempo inteiro.
Corrupção e político andam lado a lado de mãos dadas. Não se separam nunca.
Não importa o tamanho e a importância da cidade, sempre haverá um político ladrão na história.
Não estão nem aí para o povão e nem pra ninguém.
Votam aumento absurdo de salário de até 60% e para o povo nada.
Não podemos trabalhar três meses para pagar impostos.
Em São Paulo, o prefeito só está preocupado em limpar a cidade e mais nada.
No Rio de Janeiro, a preocupação é com as Olimpíadas e com a Copa do Mundo.
No Brasil inteiro é assim, o descaso é gigantesco.
Muita gente saiu da miséria nos últimos anos, mas sabemos que a desigualdade ainda impera no país.
O que fizeram foi empurrar a miséria para debaixo do tapete.
O discurso é que o país está em pleno crescimento.
Mas quem questiona e investiga isso?
O partido que hoje comanda o país, foi eleito com milhares de votos de analfabetos que antes do inicio desse governo passavam fome. Hoje, oito anos depois, eles continuam analfabetos, mas com a barriga cheia.
A situação torna-se ainda pior se analisarmos a fraca atuação da oposição atual, se é que dá pra falar em oposição. Sem base de apoio e sem um plano concreto para iniciar o esboço de uma reação, os políticos vivem dando declarações desconexas e que não agregam em nada na reconstrução de uma “nova oposição”.
A culpa é dos políticos e não me venham com conversa fiada.
Que os políticos que se acham honestos, trabalhem dia e noite para tentar mudar esse cenário obscuro, que pode acabar com uma nação de mais de 190 milhões de pessoas.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Critique para Construir

Não critique se apenas “achar”.

Não critique se ainda não viveu o que critica.

Dose a crítica, porque a crítica é dose.

Ninguém gosta de recebê-la.

Muitos gostam de fazê-la.

Simplesmente por fazer.

Não criticam para construir.

Criticam para destruir.

Não venha me dizer que com você é assim mesmo.

Que critica mesmo e acabou.

Que todo mundo lhe critica, então vai criticar quem achar que deve criticar.

Entenda: a crítica não tem valor se não vier junto com novo direcionamento ou pensamento.

Então, antes de sair criticando, estude, pesquise e pense bem.

Depois disso, aí sim, critique com consciência.

Critique para construir.

Seja Bem Vindo ao Samba

Não se preocupe se conheceu o samba apenas agora

Não se preocupe se ainda gosta mais de Chico Buarque do que de samba

Não se preocupe se gosta de pagode e de samba

Não se preocupe se gosta de Bossa Nova e de samba

Não se preocupe se for eclético e preferir outro gênero, antes do samba

Não se preocupe se não sabe sambar

Não se preocupe se não sabe tocar nenhum instrumento

Não se preocupe se não sabe cantar um samba inteiro

Não se preocupe em entender o ambiente onde o samba está

Não se preocupe se ainda não sabe nada de samba, mas usa chapéu de sambista

Não se preocupe se depois de sambista, virou pagodeiro

Não se preocupe se for um roqueiro, que quando ouve um batuque, mexe os pés e batuca na mesa

Não se preocupe se não sabe diferenciar o pagode do samba

Não se preocupe se quando chega bêbado no samba, pede Raul

Não se preocupe se a pessoa que você ama, vai ao samba

Não se preocupe se o samba é no morro ou no teatro

Não se preocupe se o samba é de breque ou partido

Não se preocupe com nada que envolva o samba

Apenas respeite o gênero, que melhor representa a letra P, da nossa MPB.

Salve o Samba!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Fiéis Companheiros

O samba e a madrugada sempre foram meus companheiros
Sob garoa conheci muita gente, sambistas, roqueiros e seresteiros
Quando andava pela cidade vislumbrava lindos cenários
Atento às cenas, me distraia no imaginário

Com uma visão retrógrada o cotidiano observava
Entre tantas lembranças estava quem eu amava
Uma mulher apaixonante que nunca saiu do meu pensamento
Pra ela escrevi uma porção de linhas que virou documento

Alguns tormentos causados pela não retribuição
Ensinaram-me a entender as coisas da vida
Hoje volto à madrugada de cabeça erguida
E com novas linhas convido o samba para uma nova canção

sábado, 13 de fevereiro de 2010

CARNAVAL

Não dá mais!Eu cansei do carnaval que é feito pelas chamadas “Escolas” de Samba.Hoje prefiro marchinhas, tocadas nas cidades do interior.
Não agüento mais tanta hipocrisia, os enredos são ruins,as letras são ruins, até as baterias estão desandando, ou seja , o coração da escola já não bate como antes.
Candeia e Paulinho da Viola, apenas para citar dois grandes mestres, já falavam na década de 60, sobre o rumo que as chamadas escolas estavam tomando.A abertura da escola para os “estranhos” ao samba era visível.Pessoas sem a menor aptidão para tocar um instrumento, que não conheciam o samba, que não viviam o samba, adentravam as quadras apenas para se divertir.
A história, os sambistas, as passistas, a simplicidade, a humildade, o amor ao samba e a comunidade ficaram em segundo plano.
Desfilei durante 4 anos, achei muito legal pois sai pela Gaviões da Fiel, que além de escola é a torcida do time pelo qual sou fanático.A Gaviões, ainda como bloco venceu 10 vezes o carnaval.E depois, já como escola venceu 4 vezes o carnaval paulistano.Hoje a Gaviões é uma escola como todas as outras grandes de SP: Vai-Vai, Rosas de Ouro, Camisa Verde e Branco e etc.
Mas todas as citadas não são ESCOLAS de SAMBA, aliás estão longe de assumir esse título.Todas elas não passam de grandes organizações financeiras.
Na minha opinião, tudo começa pela escolha do enredo.Há muito tempo os enredos são financiados por empresas ou cidades, com objetivos que o samba na essência não conhece: publicidade e política.Essa escolha já desencadeia outro problema: o público que freqüenta a escola.Como as empresas financiam os enredos, a mesma distribui centenas entradas VIPS para seus funcionários, estes, em sua maioria são “intrusos” no samba;isso acaba dando uma cara diferente à escola, pois tomam o lugar de quem briga pela escola o ano inteiro.Depois do enredo, é a hora dos compositores usarem a criatividade para desenvolver e contar uma história escrevendo um bom samba.Mas aí você me pergunta: Mas por que as letras dos sambas estão tão ruins que na quarta-feira já não conseguimos lembrar? A resposta é simples: Não existem mais sambistas dentro das escolas.Antigamente as melodias e letras eram belas, existia amor quando se compunha um samba.
Uma coisa que me deixa triste, é quando vou até alguma festa na escola e sobem no palco os “famosos pagodeiros”.Os pagodeiros sobem no palco e começam a berrar um monte de palavras que apesar de rimar não fazem nenhum sentido.As crianças e os mais jovens que estão freqüentando a escola vêem aquilo e por inocência (ou massificação da mídia) associam a imagem da escola a estas pessoas desprovidas de senso musical.
Enfim, no final tudo isso não passou de um desabado, de um cara que conheceu o samba a menos de 10 anos, mas que hoje é apaixonado por ele. Abaixo uma poesia que escrevi em 2008.
Na seqüência uma análise sobre os sambas das escolas cariocas para este ano, é triste perceber que o nível piora a cada ano.

Carnaval
Carlos Ferreira (26-01-08)

Chega o carnaval me lembro dos bambas,de suas escolas
Que linda disputa, ano inteiro na luta...

O samba era forte e havia emoção
O povo cantava com o coração...

Dava-se valor a cultura popular
Hoje tudo mudado fora do lugar...

Só vemos artistas, mulheres bonitas
Onde estão as passistas e os grandes sambistas?

Mas olho pra frente e vejo que ainda tem
Muita gente querendo mudar que não ganha um vintém

Carnaval 2010 RJ: Análise

Mangueira ( http://www.mangueira.com.br/site/conteudo/samba2010.asp )
A levada tá parecendo uma micareta.
Melodia fraquíssima.
E tem a versão comédia com o áudio (voz e violão com Rixxa), levada de lual.

Grande Rio ( http://www.academicosdogranderio.com.br/index2.htm )
“Grande Rio, eu sou guerreiro
Sou brasileiro e faço meu ziriguidum
Vibra arquibancada, explode
O camarote nº 1”

Salgueiro ( http://www.historiassemfim.com.br/SE2010.asp )
Quinho:”Academia number one!”
Apesar de abstrato não está tão ruim comparando com os demais.Mas se compararmos com sambas de outras décadas é rídículo.
Prestem atenção neste, carnaval de 57 – Navio Negreiro(Djalma Sabiá) ( http://www.salgueiro.com.br/S2008/CA.asp?1957 )

Vila Isabel (http://www.rio-carnival.net/samba/vila_isabel.php )
Martinho utilizou letra e melodia de um outro samba seu.Até que ficou legal, mas pode corre o risco de não animar na avenida; na primeira parte o puxador vem direto quase sem respirar.

“SE UM DIA NA ORGIA ME CHAMASSEM
COM SAUDADES PERGUNTASSEM
POR ONDE ANDA NOËL
COM TODA MINHA FÉ RESPONDERIA
VAGA NA NOITE E NO DIA
VIVE NA TERRA E NO CÉU
SEU SAMBAS MUITO CURTI
COM A CABEÇA AO LÉU
SUA PRESENÇA SENTI
NO AR DE VILA ISABEL
COM O SEDUTOR NÃO BEBI
NEM FUI COM ELE AO BORDEL
MAS SEI QUE ESTÁ PRESENTE
COM A GENTE NESSE LAUREL”


Viradouro (http://www.rio-carnival.net/samba/viradouro.php )
Bateria pesada
Refrão fraco

“Arriba Viradouro!
Uma tequila pra comemorar
um lenço vermelho, sombreiro na mão
o México em cores vou cantar!”


União da Ilha ( http://letras.terra.com.br/uniao-da-ilha-rj/1570818/ ) ( http://www.gresuniaodailha.com.br/enredo2010.htm )
“A Ilha vem cantar
Mais um sonho impossível... sonhar
Quem é que não tem uma louca ilusão
E um Quixote no seu coração”

“O gigante moinho me viu deu no pé
O povo grita...olé
Nesse feitiço tem castanhola
A bateria hoje deita e rola”

Portela
Enredo muito ruim, ferrou a vida dos compositores.

“NUM CLIQUE DELETA BARREIRAS
DELETA FRONTEIRAS DA REALIDADE
DESPERTA O BEM SOCIAL
ACESSA O AMOR DIGITAL”

(http://www.rio-carnival.net/samba/portela.php#init/publisher=6e27fd5b-c694-4ed2-a29a-d9c92608013d/type=website/buttonText=Share%20this%20Carnival%20Info/hash_flag=false/sessionID=1265257138296.58827/fpc=6cb5566-1269733c878-637e6df8-1/pUrl=http%253A%252F%252Fwww.rio-carnival.net%252Fsamba%252Fportela.php )


Imperatriz (http://www.rio-carnival.net/samba/imperatriz.php )
Um dos melhores, letra e melodia boa.

“A IMPERATRIZ É UM MAR DE FIÉIS
NO ALTAR DO SAMBA, EM ORAÇÃO
É O BRASIL DE TODOS OS DEUSES!
DE PAZ, AMOR E UNIÃO…”


Beija-Flor (http://www.rio-carnival.net/samba/beija-flor.php )
Refrão forte
Inventaram uma história louca pra uma cidade de 50 anos.
Sou contra esses patrocínios.

“Sou candango, calango e Beija-Flor!
Traçando o destino ainda criança
A luz da alvorada anuncia!
Brasília capital da esperança”

Mocidade (http://www.rio-carnival.net/samba/mocidade.php )
Refrão com boa rima, mas fraco.

“Meu coração vai disparar, sair pela boca
Não dÁ pra segurar, paixão muito louca
Luz independente me leva pro céu
Sou Mocidade, sou Padre Miguel”

Unidos da Tijuca (http://www.rio-carnival.net/samba/unidos_da_tijuca.php )
Um dos melhores junto com a Imperatriz...

“QUEM SOME NA MULTIDÃO
ESCONDE A SUA VERDADE
IMAGINAÇÃO, O HERÓI JAMAIS REVELA A IDENTIDADE
SERÁ O MASCARADO
NESSE BAILADO UM FOLIÃO?
A SENHA, O SEGREDO DA VIDA
A CHAVE PERDIDA É O "X" DA QUESTÃO
CUIDADO, O QUE SE VÊ PODE NÃO SER... SERÁ?
AO ENTENDER É MELHOR REVELAR
NO SONHO DO MEU CARNAVAL
PARE PRA PENSAR, VAI SE TRANSFORMAR
OU ESCONDER ATÉ O FINAL?”

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Viva São Paulo!

Uma singela homenagem à São Paulo, esta grande e importante cidade do Brasil e do mundo.

Não Sou Conduzido, conduzo!

Surgiu como São Paulo de Piratininga, ainda um povoado
Jesuítas iniciaram a construção, da maior cidade do estado
Ah!Minha São Paulo

Recebeu de Dom Pedro o título de Imperial Cidade
Mais tarde capital da cultura e da diversidade
Museus, galerias, teatros e universidades

O café desde cedo foi importante
Os Bandeirantes buscaram
Índios, ouro e diamante

Na religião, judeus, católicos e protestantes
Espanhóis e italianos também são habitantes
Centro financeiro internacional
No mundo das artes, destaca-se a Bienal

Terra da garoa é a alcunha que uso
Teu lema: “Não Sou Conduzido, conduzo.”


Carlos Ferreira

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Samba é Alento

Carlos Ferreira

Começa o samba e vejo uma mulher afastada
O som do surdo dá a cadência e a marcação
E começa a chegar à apinhada multidão
Rompe a madrugada
Faz bater mais forte um amargurado coração
Uma mulher abandonada
Chora copiosamente e reclama da solidão
Busca no samba uma saída
Luta para esquecer o seu amor e a triste partida
A noite não é mais fantasia
Sente-se sozinha não tem mais alegria
As promessas de amor incondicional
Deram lugar a um adeus formal
O samba termina
A forte mulher volta a ser menina
Toda agonia e sofrimento
Foram amenizados pelo samba, seu único alento


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Um Sorriso


Carlos Ferreira

Minha poesia necessita
Todos os dias do teu sorriso, isso mesmo, teu sorriso!
O mesmo que todo dia reluz
E ao mesmo tempo inocente seduz
O mesmo que traz ternura
O mesmo que há tempos perdura
O mesmo que expõe tua beleza
Como o orvalho faz com a natureza
O mesmo que brilha como o sol
Colorindo as nuvens num arrebol

domingo, 3 de janeiro de 2010

Quando você partiu levou minha inspiração

Carlos Ferreira

As rimas antes completas estão despedaçadas
As folhas do jardim estão velhas e ressecadas
As janelas que viviam abertas estão fechadas
As poesias estão envelhecidas e amareladas

A cuíca não chora mais na madrugada
A madeira da viola está empenada
O coração não tem mais uma amada
A mente se esforça, mas está desgastada

As piadas não são mais engraçadas
As noites estão cada vez mais pesadas
Os sonhos são linhas embaraçadas
O cotidiano sem ligações concretizadas

As nuvens agora estão carregadas
As esperanças de retorno limitadas
A saudade apenas lembranças passadas
Na retina apenas imagens embaçadas

domingo, 22 de novembro de 2009

Entre o samba e o funk

Hoje posto o texto de um amigo de samba e arquibancada, o grande Francisco de Barros Crozera ou simplesmente Chico.O texto fala sobre a origem dos movimentos sociais, com uma ênfase maior no samba e no funk. Valeu Chico!

Conversando dois amigos sobre cultura chegamos a mesma conclusão: que os movimentos culturais que conhecemos, pelo menos no que diz respeito a música, têm origem popular. Mais do que isso, em sua maioria nasceram entre os negros escravizados pelas as Américas. Haja vista, o samba, o forró, o baião, o coco, a embolada, o calango, o afoxé, o moçambique, as congadas, a marujada, o maracatu entre outros (só para ficar com os exemplos brasileiros, pois poderia me referir ao jazz, ao blues e ao rock, ao rap entre os norte americanos). São manifestações culturais que mesmo na sua simplicidade, não deixam de ser pulsantes, ricas simbolicamente, e esteticamente belas. Mas, atualmente, não sei se por algum preconceito meu, tenho dificuldade de enxergar essa mesma beleza em movimentos musicais populares como o funk, que não me agradam nem melodicamente, e nem poeticamente (as letras que me parecem muito apelativas).
Outro dia, ouvi umas vozes, que vinham da rua, cantarolando. Sai na varanda do prédio em que trabalho, na Praça Clovis Beviláqua, e avistei uma molecada de bobeira em plena terça-feira à tarde numa roda cantando e dançando um funk improvisado na voz e na palma da mão, por vezes batendo no peito para marcar com som mais grave. Essa cena me fez questionar a visão negativa que tenho desse ritmo originado nos morros cariocas por volta dos anos 90 e que vem ganhando espaço entre os jovens da periferia paulistana.
Por certo aqueles meninos, que ficam ali na região central, vistos com receio por parte da sociedade, reprimidos pela polícia, estigmatizados como marginais, estavam se manifestando culturalmente de forma semelhante aos sambistas paulistanos antigos, que faziam as batucadas com lata de graxa na praça da Sé. Esses sambistas, que muito admiro, e eram perseguidos pela polícia, chamados de vagabundos pelos moralistas, foram legítimos representantes da vanguarda cultural que nasce das camadas mais pobres da sociedade. Pergunto então, será que eu não tenho a sensibilidade para compreender o funk, ou se o que se produz hoje em termos populares não tem nada haver com a cultura de origem popular mais antiga?
Olha, esse assunto da pano pra manga, mas vou tentar resumir meu ponto de vista comparando o funk com o samba, que conheço um pouco mais do que outras culturas populares. Para mim, o Funk não partilha de alguns valores fundamentais do Samba. Como diz um amigo meu, a roda de samba tem preceito e fundamento. Existem elementos na roda que remetem a africanidade, desde a oralidade até o respeito aos mais velhos que transmitem a sua sabedoria. Quem é novo e pretende entrar numa roda, deve primeiro observá-la de fora, aprender e aos poucos ser reconhecido pelo grupo ganhando seu espaço. Além disso, o própria disposição das pessoas em forma de roda, tem grande significado. Numa roda todos se olham, todos se escutam, é um momento de partilha, onde o coletivo predomina sobre o individual. Admito que hoje em dia, essas rodas são cada vez mais raras, mas sem elas não existiria o Samba.
Não conheço muito o Funk, por isso devo ser corrigido por quem conhece. Mas até então o que eu via era uma estética muito mais parecida com o pop-rock, ou com a música eletrônica: palco, microfone e as caixas de som numa altura ensurdecedora (quando tem baile funk, o morro inteiro ouve, queira ou não). Também não há o mesmo tipo de partilha de uma roda, a relação é outra; é palco e platéia, típicas características de uma cultura de massa, onde um indivíduo, com status de celebridade comanda a platéia. Sei que temos shows de samba em palcos, mas nunca havia ouvido falar em roda de funk, até a última terça quando presenciei a cena na Praça Clóvis.
Fico com a pulga atrás da orelha... mas mesmo sendo ridículo tentar comparar o samba em termos de melhor ou pior em relação ao funk, particularmente, eu acho o samba muito mais interessante.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A Noite

Certas letras de músicas nos inspiram, nos fazem ter vontade de escrever e tentar reviver aquele tempo bom de paz e boemia que não vivemos.
Como diz um amigo meu, "quando ouço estes sambas dá vontade de ficar na rua o dia inteiro".
Ele tem razão. Mas como nossa atual realidade não nos permite tal desfrute, vamos reverenciar a noite que tanto nos inspira.
Ouvindo o samba (Madrugada) do grande sambista Zé Ketti, me veio a inspiração, e brotou junto com Carlos Ferreira parceiro de vida, de samba, blog e poesia esta letra intitulada de "A Noite".
Vejam abaixo as letras as quais me refiro.

A Noite (Tiago Trindade / Carlos Ferreira)
A noite tem inspiração,
Tem samba, choro e poesia.
A noite tem mais coração,
Quem samba, tem mais alegria.
A noite tem violão,
Sem samba, vem a melancolia.
A noite faço minha oração,
Vem do samba essa nossa folia.
A noite não tem solidão,
Além do samba eu encontro a magia.
Açoite, clausura ou prisão,
Sem o samba não sei o que seria.

Madrugada (Zé Keti)

A mulher só vive a reclamar
Que eu não tenho hora pra chegar
Sou bohemio, tenho que beber
Nunca estou em casa pra jantar
Ela diz que qualquer dia vou morrer
Sou da noite, a noite é toda minha
Tenho um compromisso com a lua
Minha vida é andar na boa
A cantar para os amigos meus
Na esquina ou no botequim
A deus nosso senhor lembrar de mim

Madrugada é a minha companheira
manhece eu estou na brincadeira
Vou pra casa, vou dormir, vou descansar
A noite chega, me pede pra voltar


Salve a Boemia!!

Salve Zé Keti!!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Despejo no Capão Redondo




Uma mistura de sentimentos me vieram nesta última segunda-feira vendo as cenas de guerra civil em um ação de despejo em um bairro pobre de São Paulo, o Capão Redondo.
Com certeza fruto de erros, lá no topo da pirâmide, seja do governo, seja da empresa dona do terreno. O negócio é o povo sempre acaba pagando o pato, ou como diz meu parceiro de blog Carlos Ferreira, nem pra pagar o pato o povo tem dinheiro.

Como este blog não tem o propósito de denúncias ou protestos, vamos fazê-lo em forma de música ou poesia.


Abaixo um samba de Adoniran Barbosa, que em plena decada de 80, já denunciava tal situação, mais de 20 nos depois, nada mudou.

Mais abaixo ainda, uma letra de minha autoria, também com a intenção de retratar e registrar tal acontecimento.

Despejo na Favela (Adoniran Barbosa)

Quando o oficial de justiça chegou
Lá na favela
E contra o seu desejo
Entregou pra seu Narciso
Um aviso, uma ordem de despejo
Assinada "Seu Doutor"
Assim dizia a petição:
"Dentro de dez dias quero a favela vazia
E os barracos todos no chão"
É uma ordem superior
ô, ô, ô, ô, meu senhor
É uma ordem superior
Não tem nada não, seu doutor
Não tem nada não
Amanhã mesmo vou deixar meu barracão
Não tem nada não
Vou sair daqui
Pra não ouvir o ronco do trator
Pra mim não tem problema
Em qualquer canto eu me arrume
De qualquer jeito eu me ajeito
Depois, o que eu tenho é tão pouco
Minha mudança é tão pequena
Que cabe no bolso de trás
Mas essa gente aí
Como é que faz?
ô, ô, ô, ô, meu senhor
Essa gente aí
Como é que faz?


Triste manhã (Tiago Trindade)

Triste manhã,
No meu barraco tudo é tristeza
Ao despertar ouvi o ronco do trator,
Causando tamanha dor, lá se foi minha riqueza

A lei do homem quase sempre não entende
Como é que esse povo inocente se defende?
Da construção de palacetes triunfais
Que com o tempo não se ouve mais
O grito aflito da favela

Nem todo ouro, toda prata e rubi
É capaz de me excluir, desta que é minha verdade
O que essa gente precisa refletir
É que a favela está aqui sem causar mal a cidade

E quem quiser provar que venha aqui
Só não derrube meu barraco
Que é minha felicidade



Salve a Favela!!
Tiago Trindade